TEXTO – LIGAÇÕES

Telefone toca novamente e já é sua segunda ligação e eu não entendo.

Chove lá fora. Vejo gotas escorrerem pela janela. Fazia semanas que não chovia . É um final de semana qualquer, aproveito o clima agradável e o barulho da chuva para fazer um bom café e ler alguns capítulos de um livro. Sento em minha cama enfrente a janela e começo a entrar na história. O livro conta a história de um casal, é um romance super delicado e que me faz sorrir esquecendo de tudo. Um fleche de luz e logo após um barulho de trovão, me desconcentro. A chuva começa a piorar e me pego olhando a janela. O céu está escuro, tão escuro que parece noite, o visor do meu celular acende e novamente é uma ligação sua e eu continuo sem entender o motivo.

Tento voltar ao meu livro e o barulho dos trovões me desconcentram a todo momento. Desisto do livro e me concentro no som da chuva. Tentei evitar ao máximo pensar no motivo de suas ligações, mas desisto e deixo meus pensamentos me levarem para as lembranças das quais eu tentei fugir por tanto tempo.

Volto para aquele dia, lembro de um lugar vermelho e barulhento. Lembro de sua voz calma e das minhas lágrimas quentes escorrendo em meu rosto. Lembro de você levantar e sair por aquela porta, desaparecendo. Lembro de sentir meu coração trincar. Será que você também lembra desse dia? Lembro também de fazer de você meu descanso, fiz de você meu chão. Fui inteira e nem desconfiei. Mais um trovão cai e me puxa para a realidade.

Enfim o telefone parou de tocar. Sinto as mesmas lágrimas brotarem nos meus olhos. Talvez se eu não chorar eu não sinta saudade, não sinta nada. Olho para o telefone por alguns segundos e tento entender o motivo de suas ligações, mas tenho medo de saber e me machucar novamente. O visor do meu celular acende na escuridão do quarto, uma mensagem sua. Respiro fundo e puxo minha coberta, resolvo dormir para aliviar as dores das cicatrizes que parecem que estão sangrando novamente.

Por Agnes Rieger

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