CURIOSIDADES – AS ORIGENS DO HQ

 Você sabe quando e onde surgiram as HQs? Quem inventou?

As histórias em quadrinhos (HQs) tem “3 pais”, vou explicar melhor… Em 17 de maio de 1890, um nobre chamado Alfred Harmsworth (que mais tarde viria a ser conhecido como Lorde Northcliffe) lançou uma coisa inédita até então: uma revista em quadrinhos chamada Comic Cuts. Assim surgiu a primeira HQ da história! Claro que havia mais texto do que desenho, sem mencionar que era voltada apenas para o humor satírico, isso não quer dizer que foi um fracasso, muito pelo contrário suas vendas atingiram a marca de 300 mil exemplares, marca muito maior que a dos grandes jornais da época.

Com todo esse sucesso, não foi nenhuma surpresa que outras editoras começassem a fazer o mesmo, assim surgiram as revistas Pulp, em 1896, que permaneceriam no mercado por décadas.

Em 1897, um americano chamado Richard Outcalt, criou uma HQ de um personagem chamado Yellow Kid, sendo publicada regularmente no suplemento matinal do New York Journal. Algumas fontes afirmam que foi Richard, e não Lorde Northcliffe, quem criou as HQs, mas o fato é que o americano trouxe uma inovação: o balão com falas; que é usado até hoje.

 

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Bom, vocês devem estar se perguntando: “E o terceiro pai?” Até agora você só falou de dois! Quem é ele?” Bom, esse terceiro pai é um italiano chamado Angelo Agostini, e ele fez a primeira história em quadrinhos do mundo, muito antes dos outros dois, em 1869 e essa história foi feita no Brasil.

A história se chamava “As aventuras de Nhô Quim“, sendo publicada no jornal “Vida Fluminense“. Eram apenas umas tirinhas, mas, impressionavam pelo realismo. Angelo estudou desenho em Paris e diferente de seus colegas cartunistas, buscava traços mais realistas nos seus trabalhos. Um dos seus trabalhos mais conhecidos foram as caricaturas de Dom Pedro II, aprofundando ainda mias os traços realistas de seus desenhos.

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As comics, como são conhecidas nos países de língua inglesa, surgiram na mesma época do cinematógrafo, mas, diferente do que aconteceu com o cinema, que desde sua estreia foi considerado a sétima arte, os quadrinhos não receberam da crítica a devida importância, sendo até mesmo considerados como má influência para crianças e adolescentes, já que as temáticas abordadas fugiam às narrativas convencionais, pois nem mesmo a disposição no papel era convencional, por que a linguagem o seria?

Essa inovação causou grande estranhamento e as impressões inicias sobre as HQs transportavam a arte sequencial para o submundo das artes, onde permaneceu até a década de 1960, quando invadiu o universo acadêmico e ganhou a simpatia de estudantes e professores.

As histórias em quadrinhos mais famosas são aquelas que retratam a vida de super-heróis, eternizados na arte sequencial e transportados para a linguagem cinematográfica, ganhando projeção internacional e povoando o imaginário de leitores do mundo inteiro. Mas nem toda HQ fica restrita a narrar as peripécias de personagens dotados de superpoderes: artistas como Marjane- Satrapi e Art Spiegelman utilizaram as histórias em quadrinhos para narrar suas histórias de vida. Persépolis, livro de Marjane Satrapi publicado em quatro volumes, narra a infância da escritora iraniana durante a Revolução Islâmica. Já o livro Maus, do americano de origem judia Art Spiegelman, conta a história de seus pais, sobreviventes dos campos de concentração de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. Maus recebeu, em 1992, o primeiro prêmio Pulitzer destinado a um livro de história em quadrinhos.

Por Guilherme Serra

 

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